Dez mil milhas de você

Eu te quis desde o primeiro instante,
como quem reconhece um destino antes mesmo de entendê-lo.
Te vi ali, entre o aço das aeronaves e o céu aberto,
e os teus olhos brilhando carregavam algo que não sei explicar 
mas que ficou em mim.

Naquele tempo, o teu sorriso não era meu.
E saber disso doía em silêncio,
como quem observa de longe algo que deseja,
mas não pode tocar.
Ainda assim, havia uma certeza quieta, quase teimosa,
guardada no fundo do peito:
um dia, aquele sorriso encontraria o meu nome.

E o mundo, tão vasto, decidiu brincar com a gente…
mais de dez mil milhas separando nossos corpos,
céus, fusos, continentes entre nós 
e, ainda assim, foi essa mesma distância
que costurou nossos corações no mesmo compasso.

Houve noites em que o tempo parecia mais longo,
em que o silêncio carregava saudade demais,
e eu me perguntava se você também sentia
esse fio invisível nos puxando um para o outro.
Como se, mesmo longe,
existisse um lugar onde sempre nos encontrávamos.

E quando finalmente o teu sorriso foi meu 
não emprestado ao mundo, não dividido com o acaso 
mas meu, inteiro, sincero…
eu entendi que toda espera tinha sentido.
Que cada milha não era distância,
era caminho.

Hoje, quando penso na primeira vez que te vi,
não lembro só do instante 
lembro do começo de tudo.
De um encontro que parecia pequeno,
mas carregava um infinito escondido.

Porque, de alguma forma inexplicável,
mesmo tão longe,
você já estava destinada a ser perto de mim.

E se o mundo insistir em nos medir em milhas,
eu sorrio…
porque nós aprendemos a nos medir em sentimento.
E nisso, nunca houve distância entre nós.

Sinto como se nossos corações ja se pertencesse,
Como se fossemos a continuação um do outro,
Quero muito te ver, sentir o cheiro do teu cabelo, 
Saber e guardar o gosto do teu beijo.

Eu estou entregue aos seus sentimentos.
Completamente.
Eu me dei a você por inteiro com tudo que sou e ainda vou me tornar.
Sempre foi voce garota.

Por: Kelviner Basilio.

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